PANDEMIA, DISTRESS E “SURPRESA PREVÍSIVEL”

Vivemos um momento ímpar e a economia e as empresas, através de seus acionistas, executivos e colaboradores, estão lidando com uma situação impensável até 4 ou 5 meses atrás. Segundo os autores, as empresas possuem ciclos de vida: começam como start-ups, crescem, chegam na maturidade, entram em declínio e, em alguns casos, chegam à insolvência.

Claro que, felizmente, não é necessariamente o caminho seguido por todas, mas atinge muitas. De qualquer forma, quando o declínio é percebido ela deveria passar por um turnaround, revigorando seu negócio.

Ou melhor, as empresas devem atuar e muitas o fazem para se reinventarem ou redirecionarem seus negócios ou mesmo mudando o modelo de negócios, como temos visto, em muitos casos, durante a pandemia atual. No meio de tudo isso passei a ter mais tempo para refletir e estudar, como alguns de nós, já outros tem trabalhado muito mais. Como executivo financeiro e consultor reli (e uso frequentemente quando preciso, parece nunca “caducar”) um livro que comprei em uma viagem em 2002, na versão em inglês, com o título: “Corporate Turnaround – Managing companies in distress” e fora escrito em 1984 na primeira versão, depois em 1999 na versão que li e encontrei uma versão de 2009 em português.

Os autores, um PHD pela London Business School e o outro fora executivo de grandes empresas de consultoria e bancos de investimentos. Uma união, a meu ver, muito útil entre academia e ambiente empresarial e que merece ser incentivada. O processo de “recuperação de uma empresa” ou turnaround management é, segundo os autores, “a atividade de atuar na gestão quando a empresa estiver operando sem atingir seus objetivos e mostrando que em um futuro previsível e visível ela entrará em uma situação de risco de continuidade e eventual falência”. Nesse caso, “onde lucro, geração de caixa, retorno sobre capital estão muito abaixo do esperado e em declínio, ações objetivas deverão ser implementadas visando restaurar a performance a rentabilidade do negócio”.

Esse trabalho de recuperação de uma empresa deve ser “macro”, holístico, ou seja, o “olhar” deve ser para toda a empresa, para o ambiente macroeconômico e setorial, para a gestão, os produtos e naturalmente para a estrutura de capital e financeira. Sem a pretensão aqui de esgotar o assunto ou mesmo cobrir a abrangência total do livro e sua importante contribuição para o tema, mais atual do que nunca, empresto dele pontos importantes. Segundo os autores há 4 objetivos principais a serem atingidos no processo de turnaround:

Marcos Silveira – É Sócio fundador da AXIS Consultoria e assessoria financeira, é membro de comitê de auditoria de uma seguradora e Conselheiro pelo IBGC. Fez carreira como executivo em bancos e como CFO em empresas.